4 de abril de 2015 | Edição #13 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
YOLO, mas a vida é longa

Na nossa sociedade existe uma regra não escrita sobre a idade ou época certa das nossas vidas para se fazer as coisas. Segundo essa cartilha, a adolescência é a época de curtir geral, sair todo fim de semana, ser inconsequente. Até porque, logo depois da adolescência, quando a gente faz uns vinte e poucos anos, chega a hora de ser madura e responsável, tomar decisões em longo prazo e começar a ser adulta. Com uns trinta, você tem que estar casada e ter filhos; aos quarenta, uma profissional de respeito e assim por diante.

Tudo isso leva a gente a achar que a adolescência/juventude é o período em que temos que experimentar tudo que não poderemos experimentar depois na vida. Dei essa volta toda para introduzir e explicar a vocês o conceito de YOLO e mostrar porque ele não deve ser seguido tão à risca assim.

YOLO é uma sigla em inglês para You Only Live Once, que em português significa “você só vive uma vez”. Englobada nela está a ideia de que você deve aproveitar a vida ao máximo enquanto é jovem. E, ao contrário do que muita gente pensa, esse não é um conceito tão novo assim. Existe até um termo em latim para isso: carpe diem ou “aproveite o dia”. Afinal, já que você pode morrer a qualquer momento, por que não aproveitar agora? Sabe a música “Live While We’re Young”, do One Direction? Então.

Só que muita gente leva isso ao extremo e acaba fazendo mil coisas estúpidas por causa de um lema. “Ah, não vou aprender matemática porque eu posso morrer amanhã e nunca terei a chance de entrar em uma faculdade de engenharia e aplicar meus conhecimentos.” Ou “para que ter um namorado agora se eu posso morrer amanhã e sequer dar os nomes que eu sempre pensei para os nossos futuros filhos”? Gente, se nós pensarmos assim não faremos plano algum, nunca! Planejar em longo prazo é importante para começarmos a moldar agora quem queremos ser e como vamos chegar lá, nos dando tempo suficiente para ajustar os percursos ou mudá-los completamente, se mudarmos de ideia.

O YOLO é problemático em duas situações: quando você arruína planos de longo prazo por conta de algum divertimento passageiro, ou quando outras pessoas saem machucadas. Pensa comigo: vale a pena mesmo sair naquela sexta à noite sabendo que você tem uma prova importante no sábado? Vale partir o coração de alguém só porque você achou que seria divertido? Será que seus pais não ficam preocupados quando você passa o fim de semana longe de casa sem avisar?

É claro que o que eu estou querendo dizer não é que você deve levar uma vida sem divertimentos e pensar em todas as consequências o tempo todo. A Bia Trevisan soube, melhor do que eu saberia, descrever como as pessoas esperam que a gente lide com limites nessa fase da nossa vida em que nada parece temporário e, ainda assim, a gente só quer se divertir.

No final das contas, o que quero dizer é que, ao mesmo tempo em que essa é a fase da nossa vida em que nós temos menos responsabilidades (a maioria não precisa trabalhar ou não tem filhos, por exemplo), isso não significa que a gente tem que gastar todas as possibilidades de diversão em um punhado de anos, nem ficar na nossa zona de conforto para sempre. Se é uma coisa que não está machucando ninguém permanentemente e vai fazer bem para você, por que não? Uma vez eu vi no Tumblr uma frase que era mais ou menos assim: “Eu não entendo porque as pessoas dizem que a vida é curta. A vida é literalmente a experiência mais longa que você vai ter.” E, no final, é isso mesmo: há tempo para tudo e qualquer tempo é válido para as coisas que você quer, desde que você se permita criar possibilidades.

Beatriz Rodrigues
  • Colaboradora de Ciências
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Saúde

Bia Rodrigues ou só Bea tem 19 anos, é mineira, estudante de Farmácia e adora fatos inúteis. Se tivesse que comer só uma coisa pelo resto da vida, escolheria batata. Ainda não acredita que conheceu outras meninas da Capitolina. É 60% Corvinal e 40% Sonserina.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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